A maior dificuldade em contar os anos de 2000 a 2010 do São Paulo FC é saber em qual das alegrias pautar o texto a ser composto. Alguns dirão que foi a década do renascimento tricolor, após o choque de não ter mais o mestre Telê e ficar afastado da competição que o torcedor mais deseja, a Libertadores da América. Outros dirão que foram os anos em que a alcunha de SOBERANO solidificou-se com o feito inédito dos três títulos do Campeonato Brasileiro. De alguma forma, pode-se dizer que um evento fora o disparador do outro e juntos recolocaram o nosso tricolor sob a égide vencedora através da qual é comumente identificado dentre os grandes clubes brasileiros.
Não se pode porém, esquecer as agruras dos primeiros anos desse período; tínhamos um time com ótimos valores, tais como o mítico Rogério Ceni, Raí (encerrando sua carreira), Julio Batista, Kaká, Luis Fabiano entre outros; mas que estava em formação e tal como todo time nessas condições, apresentava altos e baixos. Essa inconstância nos levou a enfrentar os episódios em que o time foi chamado de amarelão (2004, pós Once Caldas e Paysandu), as derrotas para nosso arqui rival galináceo (em 2002, por exemplo), a quase perda de nosso maior ídolo Rogério Ceni pelas suspeitas de adulteração numa proposta do Arsenal e a dura perda do inédito título da Copa do Brasil para o Cruzeiro em 2000.
A despeito desses traumas e anos difíceis, a palavra dessa década para o torcedor tricolor, definitivamente é a alegria; na descrição ano a ano que se fará a seguir, é fácil perceber isso:
2000
O SPFC iniciou o ano sendo campeão do Torneio Constantino Cury, que homenageava o conselheiro homônimo e que faleceu exercendo o cargo e ganhando a Copa São Paulo de Juniores. Foi campeão paulista, vitória que consagrou o tricolor como o maior vencedor, em média, do século; com uma conquista a cada 3,33 temporadas. É o título paulista que marcou a última conquista de Raí no clube.
2001
Termina a espera; o time de Luis Fabiano e Julio Batista e que apresentaria, na final, o ídolo Kaka vence o Botafogo e o São Paulo ganha seu primeiro Torneio Rio-São Paulo. Foi um ano que enfrentamos a polêmica proposta do Arsenal pelo mito Rogério Ceni e as suspeitas de adulteração nos documentos. Quase perdemos nosso ídolo para o Cruzeiro.
2002
Ano para ser esquecido iniciou-se com o título do Super Campeonato Paulista, mas que fora marcado pelas derrotas para os gambás no Rio-São Paulo e Copa do Brasil e, após ser o melhor da primeira fase do Brasileirão, fora derrotado pelo Santos de Robinho e companhia. Éramos assombrados por Oswaldo de Oliveira em nossa direção técnica. A nota positiva para esse ano é a vitória de Acelino POPÓ Freitas vestindo as cores do tricolor.
2003 e 2004
Foram anos marcados por uma política que privilegiava as reformas do estádio. Amargamos times desequilibrados e mudanças nos times. Entretanto, foram os anos em que renascemos para a LIBERTADORES DA AMÉRICA, dez anos depois. Fomos, dolorosamente desclassificados pelo Once Caldas na semifinal, no retorno da Colômbia, o time foi direto para Belém e foi derrotado pelo Paysandu, sendo então, recepcionado a pedradas pela torcida em SP. Como sempre, há um fato positivo em 2004, ano que vimos a despedida de Luis Fabiano fabuloso; foi o ano em que foi inaugurado o REFFIS; considerado o centro de recuperação mais avançado da América do Sul.
2005
No final do ano, o tricolor conquistaria o mundo, vencendo o poderosíssimo Liverpool e todos os boatos de racha no elenco que foram levantados à época. A atuação de gala de nosso ídolo e capitão Rogério Ceni e o gol que coroou a dedicação e a forma incansável como jogava Mineiro transformou em épica nossa conquista.
2006, 2007 e 2008
Não é à toa que a história desses três anos estão reunidas. Muricy Ramalho retorna em 2006 depois de muito tempo longe do time que o consagrou, seja como jogador, seja iniciando sua carreira como técnico no Brasil, auxiliando o mestre Telê. Foram anos de glória em que Rogério Ceni tornou-se, em 2006 o maior goleiro artilheiro do mundo. Em 2006 o tricolor fora vice campeão do paulista, da libertadores e da recopa. Em 2007 e 2008, o time também foi mal no paulista e libertadores; entretanto, esses anos de SOBERANIA foram marcados por um início de ano cambaleante e uma arrancada fantástica que culminava com o título. O tricolor então, tornou-se o único hexacampeão brasileiro.
2009
É um ano em que a libertadores tornou-se uma prioridade absoluta, tendo em vista os três fracassos seguidos nos anos anteriores. O paulistinha fora colocado em segundo plano, mas tal atitude não impediu que o tricolor fracassasse mais uma vez, agora diante do Cruzeiro; fato que culminou com a demissão de Muricy, depois de sua trajetória vitoriosa e de extrema identificação com a torcida tricolor. Ricardo Gomes fora contratado e levou o time ao G4, alcançando a vaga para a Libertadores, mas perdendo a possibilidade de ganhar o sétimo título, devido aos seguidos tropeços na reta final.
2010
Este ano iniciamos com Ricardo Gomes e um futebol que deixava dúvidas quanto a qualidade e estabilidade do grupo. Terminamos o paulistinha em quarto e fracassamos mais uma vez na Libertadores. RG foi demitido em após a eliminação na Libertadores entretanto, Carpegiani só chegaria 14 rodadas depois da demissão de Gomes, onde o time foi comandado por Sergio Baresi. Sem qualquer pretensão o tricolor termina o Brasileirão-10 em nono, com uma goleada contra o Atlético-MG. O final do ano foi marcado pelas despedidas de Jorge Wagner, Richarlyson e Carlinhos Neves.
Fica desse ano a não classificação para a Libertadores, como um alerta para um planejamento mais criterioso e um cuidado maior com as participações em campeonatos (priorizações e escalações) e sua importância, tanto futebolística, quanto econômica para o clube.
Por Gustavo Matias Zuim
fonte:SPFC1935

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